- Histórias cotidianas
- Pamela Simeao
Você Já Está em Casa — Mesmo Sem Perceber Isso
Estava na casa de uma amiga quando ela me convidou para fazer algo simples: escolher uma carta.
Não havia nenhuma intenção especial da minha parte. Apenas a mão sobre o baralho, um instante de silêncio e a escolha de uma carta que, naquele momento, não sabia que carregava exatamente o que eu precisava ouvir.
Quando li, algo se aquietou dentro de mim.
A Carta
A imagem mostrava uma figura sentada sobre uma folha de lótus, contemplando o céu noturno. Nua. Presente. Em paz.
E o texto dizia:
“Ela sabe que o ‘lar’ não é um lugar físico no mundo exterior, mas uma qualidade interior de relaxamento e aceitação. As estrelas, as rochas, as árvores, as flores, os peixes e os pássaros — todos são nossos irmãos e irmãs nesta dança da vida.”
Fiquei um tempo parada com essas palavras.
O Que Nós Esquecemos
A carta continuava: “Nós, seres humanos, tendemos a esquecer disso, à medida que perseguimos nossos próprios objetivos particulares e acreditamos que devemos lutar para conseguir o que precisamos.”
E eu pensei: como é verdade isso.
A gente vive correndo. Buscando. Acreditando que o que falta está lá fora — em uma conquista, em um relacionamento, em um lugar diferente, em uma versão melhor de nós mesmas. E nessa corrida, vai se criando uma sensação sutil, mas muito pesada, de que o mundo está contra a gente. De que algo sempre está faltando. De que ainda não chegamos.
Mas e se a sensação de “não ter chegado ainda” for exatamente a ilusão que a carta descreve?
O Lar Como Estado Interior
O que me tocou mais profundamente foi isso: o lar não é um endereço. Não é uma fase da vida que você vai alcançar quando resolver seus problemas, quando encontrar o parceiro certo, quando atingir o peso ideal, quando a vida finalmente se encaixar.
O lar é uma qualidade interior. É o relaxamento que acontece quando você para de lutar contra o momento presente e simplesmente… está.
Em terapia, trabalho muito com pessoas que vivem em um estado de guerra interna. Com o passado que não passou, com o futuro que amedronta, com o presente que nunca parece suficiente. E o que percebo, sessão após sessão, é que o maior alívio não vem de resolver os problemas externos — vem do momento em que a pessoa se permite pousar em si mesma.
A Mensagem da Carta Para Você
A carta terminava com um convite que escolho repetir aqui:
“Agora é o momento de avaliar se você está se permitindo receber o dom extraordinário de se sentir em casa onde quer que esteja. Se estiver, certifique-se de reservar um tempo para saboreá-lo. Se, por outro lado, você tem sentido que o mundo está contra você, é hora de fazer uma pausa. Vá lá fora hoje à noite e olhe para as estrelas.”
Então eu deixo o mesmo convite para você.
Não precisa resolver nada agora. Não precisa chegar a lugar nenhum. Saia esta noite, olhe para as estrelas e lembre que você faz parte dessa dança — não como alguém de fora tentando entrar, mas como alguém que sempre esteve dentro.
Você já está em casa.
Se essa mensagem tocou algo em você e você sente que é hora de se reconectar consigo mesma, te convido para o meu grupo gratuito no WhatsApp — toda semana a gente se encontra para conversar sobre temas como esse:
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